Terça-feira, 27 de Maio de 2008

Indústria de Chapelaria em S. João da Madeira

No século XIX, a actividade industrial instalou-se na cidade de S. João da Madeira, e foi ela o agente do seu desenvolvimento posterior, originando assim, neste aglomerado populacional uma evolução contínua de progresso económico, que tem uma influência importante no nível de vida da sua população.

É a produção de chapéus a primeira actividade industrial, que se fixa na labriosa cidade de S. João da Madeira.

Os "Anais do Município de Oliveira de Azeméis" citam que, em meados do século XVIII, a gente de S. João da Madeira se dedicava ao fabrico manual, caseiro ou de pequena oficina de "grandes chapéus sombreiros grossos, de lã, usados pelos alentejanos e os chapelinos de aba revirada, minúscula ou de testo, adornadas de penas e bandas de veludo, tão característicos do vestuário das varinas e mulheres de quase toda a Beira marítima".

Naturalmente, este género de trabalho inicial, não foi privilégio único de S. João da Madeira, mas foi aqui que encontrou melhores possibilidades de sobrevivência condicionadas, sem dúvida, pela sua situação nas margens de uma via de circulação fundamental e, essencialmente, determinadas pelas qualidades de trabalho, persistência dos seus homens e tenacidade do seu espírito empreendedor.

Domingues Arede, falando sobre a indústria de chapéus em S. João da Madeira, já nos dizia que "... a sua indústria principal é a chapelaria que vem exercendo à mais de um século, e que em dez anos, tomou um incremento tão grande, que tornou esta pequena freguesia a primeira do concelho e uma das principais do distrito. O seu povo, que também se dedica ao comércio, é activo e de tão entranhado bairrismo, que não conhecemos outro que se lhe compare, não se poupando a sacrifícios, quando se trata do progresso da sua terra".

Através de documents históricos ("Anais do Município de Oliveira de Azeméis", 1909), sabemos que a fábrica mais antiga de que há memória, é a que data de 1802, pertencente a J. Gomes de Pinho.

Mais tarde, em 1858, funda-se uma nova fábrica de chapéus, que depois veio pertencer a José António da Costa. Em 1862, estabelece-se um novo elemento fabril de chapéus de lã de Francisco Dias Pinho.

Sucessivemente outras fábricas apareceram e em 1867, existiam em S. João da Madeira seis fábricas de chapéus, verificando-se, assim, com este número a importância desta actividade nesta cidade. No entanto, todas elas eram, ainda, pequenas oficinas caseiras.

Nesses tempos, a execução do chapéu era um trabalho árduo, que dispendia muito do esforço humano, pelo que, em certas condições, até era realizado de noite. Como a sua fabricação era manual, havia muita gente em S. João da Madeira que se dedicava ao seu fabrico e que vivia essencialmente da chapelaria.

Esta indústria abrange três ramos: chapéus de lã, chapéus de pêlo de coelho e apropriagem. Consideremos cada um deles separadamente: Chapéus de lã - Segundo a informação de António de Oliveira Júnior, a produção anual desta indústria, neste século, podia-se calcular em 150.000 chapéus.O fabrico era manual e as fábricas de chapéus existentes eram doze. Chapéus de pêlo de coelho -Em 1892 dá-se a instalação deste ramo industrial em S. João da Madeira, onde foi criada nessa data, por António José de Oliveira Júnior – figura grata a esta cidade, a quem o governo concedeu o diploma de Mérito Industrial e Agrícola, e a sua terra mandou erguer um busto, como preito de homenagem às suas qualidades de impulsionador da indústria sanjoanense e, também, aos seus actos dignos de louvor do maior sentimento de interesse e dedicação pela sua terra –, a firma Oliveira, Palmares & C.ª, que era uma fábrica a vapor e uma das principais do país, com uma capacidade produtora anual de 200.000 chapéus. Apropriagem – Compreende os revendedores que compravam às fábricas os chapéus em feltro e acabavam-nos e vendiam-nos por conta própria. Neste ramo existiam sete oficinas.

 

A introdução do fabrico de chapéus de pêlo em S. João da Madeira, como já foi referido no parágrafo acima, efectuou-se no ano de 1892, com António José de Oliveira Júnior, que foi “um autêntico pioneiro da indústria”, nesta cidade, antigamente vila.

 

É depois de se ter iniciado o fabrico do chapéu fino que a chapelaria de S. João da Madeira se desenvolveu mais, começando a aparecer novas oficinas que, no entanto, não tinham edifícios próprios; ou fazia-se a adaptação de casas, ou construíam-se uns simples barracões e, nisto, se pode ver o carácter rápido da evolução desta indústria.

 

A antiga firma Oliveira, Palmares & C.ª, que possuía a mecanização deste tipo de indústria, chapelaria, construiu-se com as máquinas mais modernas que existiam na época. A “Empresa Industrial de Chapelaria, Lda.”, um enorme edifício, que começou a funcionar em 1914, era “a maior fábrica da Península” e a maior da cidade.

 

         

 

Os industriais com este exemplo, seguiram as mesmas características desta empresa e, isso, contribuiu para a subida de nível desta indústria. Pratica-se a exportação, aliada à qualificação de mão-de-obra e à qualidade do pêlo, a partir de 1985 em quantidades significativas de feltro de pêlo e de lã para os EUA, Canadá, Espanha, Itália, França, Suiça, Israel, África do Sul e Zimbabué.

 

A interessantíssima obra literária, Unhas Negras, cuja acção se situa em S. João da Madeira, dá ao leitor uma imagem perfeita do operário de chapelaria daquela época. O título Unhas Negras relaciona-se com o aspecto que têm as mãos dos operários que trabalham na “fula” que, com o contacto dos ácidos do “secret”, ficam nesse estado.

 

Quem de facto pretende saber o que era a vida de sofrimento amargo dos operários nos primeiros anos da indústria de chapelaria, a obra de João da Silva Correia dá-lhe um ambiente autenticamente verdadeiro.

 

 

 O elemento do grupo:

 Marta Santos

 

publicado por 11outubro1926 às 13:37
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.A eles um muito obrigada!

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